Lucky | Tributo a Harry Dean


Trilha sonora do post: Man in the Moonshine - Foster Timms

O tempo nada mais é do que o vilão mais democrático de todos. Não faz distinção entre raça, sexo, religião... ele é implacável com todos.

Tributos costumam me deixar com um pé atrás. Às vezes parecem abutres que se aproveitam da morte de um famoso para ganhar views ou para apenas ficar com pinta de culto. Eu sou adepto das homenagens a pessoas vivas, que ainda podem ver tais homenagens feitas. Por isso, Lucky é um filme tão especial.

Lucky foi um dos últimos trabalhos de Harry Dean Stanton, que acabou falecendo antes mesmo do filme ser lançado. Dessa forma, embora não tenha sido o objetivo inicial do filme, além de servir de homenagem a toda a carreira e vida do ator, ele também serve de um sensível e belo tributo e despedida para um dos grandes mestres da arte no geral.

Cantor, músico, ator. Embora teimasse em afirmar que não atuava, apenas representava ele mesmo. Mas de uma coisa ninguém pode negar, representava um Harry Dean como ninguém. Ele ficou conhecido pelo seu papel no aclamado Paris, Texas, mas se você puxar sua ficha cinematográfica, se surpreenderá com a quantidade de filmes que ele fez e você viu e não se lembrava.




O filme


Como havia apresentado, o filme se trata de despedida, mas mais precisamente, da despedida eterna, a despedida da vida, a morte. Lucky é um senhor de idade avançada e que acaba se deparando com a inevitabilidade da morte que bate à porta, mas sem nenhuma causa aparente.

O filme, então, o acompanha nessa trajetória de, digamos, aceitação. E nós embarcamos nessa jornada e ao final estamos com os olhos marejados e um sorriso aberto no rosto aceitando que Harry Dean se foi assim como muitas pessoas próximas a nós também se foram e muitas ainda irão.


O elenco, roteiro, direção, tudo parece homenagear sua longa carreira e vida. No elenco, amigos, entre eles David Lynch; na direção, o ator e estreante diretor John Caroll Lynch; no roteiro, uma despedida e uma ambientação que nos leva de volta a Paris, Texas.

É interessante também, fazer um paralelo entre esse filme e a recente animação da Pixar, Viva - A Vida é uma Festa. Em Lucky, temos a presença de mariachis, tanto na trilha sonora como fisicamente também, por ser uma das paixões do senhor Stanton. Porém, a relação vai além dessa comparação óbvia. Na animação, temos a temática da morte, não como uma coisa triste como costumamos tratar, mas do ponto de vista da cultura mexicana que procura nunca se esquecer dos entes amados. E essa é grande questão de ambos os filmes, não deixar morrer a memória de alguém querido. E H.D., apesar de não o conhecer pessoalmente, podemos falar de seus trabalhos belíssimos que vão ser, sem dúvida nenhuma, lembrados por toda eternidade.

Poster de Viva - A Vida é Uma Festa

Verdadeiros tributos devem ser exatamente como esse filme, devem fazer as pessoas não se esquecerem ou talvez passarem a conhecer talentos que já se foram. Resumindo, falar de morte, paradoxalmente, é falar de vida. A morte é certa, mas o caminho que fazemos até ela, não. Aproveite a viagem, porque ela é rápida e não tem retorno.

Trailer



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